Como filha de professora sempre admirei todos os professores que cruzaram a minha vida escolar e acadêmica.
Tive poucos problemas com alguns deles.
O primeiro contratempo foi com uma professora de ensino religioso em um colégio católico o qual estudei 8 anos da minha vida. Durante uma aula ela criticou em alto e bom tom o grupo de jovens do próprio colégio, grupo que eu participava ativamente. Criticou a forma na qual tínhamos conduzido o evento na noite anterior. Era um evento de final de ano feito exclusivamente pelos alunos participantes aos pais e professores. Talvez não tivéssemos organizado com tamanha maestria, tínhamos apenas12 anos de idade. Os pais entendiam o amadorismo e valorizaram os pequenos detalhes, as músicas, os discursos, os textos e poemas declamados. Mas foi ela, justamente ela, que insistiu em dar um depoimento no palco e chamou a atenção de alguns adolescentes inquietos pelo nome, na frente de todos, em alto e bom tom no microfone.
Depois de todo o ‘blá blá’ dela em sala de aula, falando mal da noite anterior, eu não me calei. Poxa, eu era uma das adolescentes que mais lutava pra trazer mais participantes para o nosso grupo. Tínhamos ganho em 1o lugar no regional … Éramos 11 participantes contra grupos de 40, 50 adolescentes de outras cidades. Ganhamos em organização, uniforme, apresentações e teatros criados e apresentados. Não era uma professora autoritária e amargurada que falaria mal livremente do grupo que unido seguia anos a fio. Pedi em voz alta respeito! Pedi, com o vocabulário de uma adolescente de 12 anos, que ela contribuísse com as críticas para os líderes do grupo e não destruísse nosso projeto em público. Lembro que ela me segurou forte pelo braço na frente de todos os alunos e disse que em sala de aula era ela quem mandava. Fui para a sala da diretoria quando respondi o que eu sempre ouvia em casa, da minha mãe professora: “Quem faz a aula acontecer é o aluno. Professor é mero instrutor!” Quase fui expulsa! Chamaram meus pais no colégio e lembro com orgulho, de como os meus pais aprovaram publicamente a minha atitude. Minha mãe dizia: “Isso aí filha! Não aceite que destruam algo que você e seus amigos lutam todas as semanas para construir!”
Caso resolvido até que anos depois, no 2o semestre da faculdade esbarrei com um professor de estatística II. Um homem com quase 60 anos, me marcou com um X quando assumi não gostar de estatística e preferir as matérias como psicologia e direito. Ouvi algo assim:
” Como assim, você não gosta de estatística? Mesmo depois de 2 meses de aula comigo? Fui o professor mais homenageado na universidade estadual de SC. Diversos alunos meus viraram estatísticos no mercado de trabalho!”
Eu respondia: “Ok professor. Parabéns! Admiro o senhor. Mas entenda, tenho outras preferências. Se eu tirar a média na sua matéria já me darei como satisfeita.”
Ele fez o favor de me reprovar. Eu fiz o favor de fazer a matéria novamente, tirar nota o suficiente pra passar e dizer: “Desejo que um dia você aprenda que o mundo acadêmico não precisa e nem quer girar em torno de você.”
Ainda no ciclo acadêmico, tive professores maravilhosos. Gostava daqueles que motivavam os alunos a se superarem. Daqueles que colocavam os alunos no centro das aulas, que motivavam a produção intelectual e o compartilhamento de idéias e opiniões. Tive aulas de psicologia, às 22:00 de sextas feiras, lotadas e aplaudidas de pé. Tive professor de matemática financeira que enxergava meus erros em uma equação de longe e brincava de uma forma doce:
- Professor. Tá dando raiz de 28.
- Revise a integral e os sinais antes dos colchetes.
- Pimba! Como o professor adivinhou?
- É a marca da haviana, minha filha! Anos e anos lidando com cabecinhas como a sua, que preferem sempre a forma mais complicada de resolver as contas.
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E hoje? Como profissional?
Ainda encontro alguns que não seguram grotescamente o braço dos liderados, mas que não medem palavras para mostrar superioridade. ‘Trabalho medíocre’, expressão que ouvi em uma reunião de time e que até hoje tento digerir.
Ainda esbarro com alguns que se acham no direito de julgar profissionais como mal educados, mas que nada fazem para desculpar um atraso de 30 minutos em uma reunião com a equipe.
Ainda cruzo com alguns que acreditam que apenas o dinheiro, unicamente ele, motivará profissionais jovens e com sede de desafios intelectuais.
Com executiva de negócios, que tipo de líderes eu gosto? Desses aí ó, PROFESSORES!
- O cliente não consegue entender a importância da metodologia de implantação que oferecemos. O que faço? Já expliquei, desenhei … Me faltam apenas as piruetas.
- Leve ele em outro cliente, Jamile, para que ele compare o cenário de quem recebeu consultoria com metodologia e o cenário que ele vive hoje.
- Deu certo! Venda fechada! Obrigada pelo apoio!
- Parabéns pelo seu trabalho Jamile. Eu só dei a dica. A trilha quem escalou foi você!
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Confesso, gosto dos líderes homens que já passaram dos 40 e poucos anos. Estes que tem a marca da havaiana dos anos e anos de praia e pesca. Gosto dos líderes que dividem, humildemente, as experiências dos anos e anos ao redor do mundo. Desses que formaram centenas de profissionais, que foram, mesmo que apenas nos pensamentos dos liderados, homenageados zilhões de vezes. Gosto desses que não levam pela mão, mas que apontam a trilha e orientam cuidados com os pedregulhos e pontes bambas. Conhecem a trilha como a palma da mão.
Gosto desses que tem brilho nos olhos, semblante simples, passos leves, sorriso sincero, pulso firme, críticas bem baseadas e muita vontade de formar e marcar a vida de pessoas. Gosto dos líderes que gostam de GENTE!
E pode parecer romantismo para alguns, mas em quase 6 anos de experiência no mercado de trabalho já trabalhei para líderes formidáveis. Eu acredito em líderes-mestres porque já os tive e com estes aprendi tudo o que eu sei.
Sempre soube o tipo de líder que eu gosto. Hoje em dia tenho aprendido o tipo de ‘chefe’ que eu não quero!
E mesmo assim fico feliz, porque apesar de tudo .. é sempre bom aprender, né?
A vida também é mestre e o tempo a melhor sala de aula.