Arquivos Mensais:janeiro 2012

Chefe? Não! Professor!

Chefe? Não! Professor!

Como filha de professora sempre admirei todos os professores que cruzaram a minha vida escolar e acadêmica.

Tive poucos problemas com alguns deles.

O primeiro contratempo foi com uma professora de ensino religioso em um colégio católico o qual estudei 8 anos da minha vida. Durante uma aula ela criticou em alto e bom tom o grupo de jovens do próprio colégio, grupo que eu participava ativamente. Criticou a forma na qual tínhamos conduzido o evento na noite anterior. Era um evento de final de ano feito exclusivamente pelos alunos participantes aos pais e professores. Talvez não tivéssemos organizado com tamanha maestria, tínhamos apenas12 anos de idade. Os pais entendiam o amadorismo e valorizaram os pequenos detalhes, as músicas, os discursos, os textos e poemas declamados. Mas foi ela, justamente ela, que insistiu em dar um depoimento no palco e chamou a atenção de alguns adolescentes inquietos pelo nome, na frente de todos, em alto e bom tom no microfone.

Depois de todo o ‘blá blá’ dela em sala de aula, falando mal da noite anterior, eu não me calei. Poxa, eu era uma das adolescentes que mais lutava pra trazer mais participantes para o nosso grupo. Tínhamos ganho em 1o lugar no regional … Éramos 11 participantes contra grupos de 40, 50 adolescentes de outras cidades. Ganhamos em organização, uniforme, apresentações e teatros criados e apresentados. Não era uma professora autoritária e amargurada que falaria mal livremente do grupo que unido seguia anos a fio. Pedi em voz alta respeito! Pedi, com o vocabulário de uma adolescente de 12 anos, que ela contribuísse com as críticas para os líderes do grupo e não destruísse nosso projeto em público. Lembro que ela me segurou forte pelo braço na frente de todos os alunos e disse que em sala de aula era ela quem mandava. Fui para a sala da diretoria quando respondi o que eu sempre ouvia em casa, da minha mãe professora: “Quem faz a aula acontecer é o aluno. Professor é mero instrutor!” Quase fui expulsa! Chamaram meus pais no colégio e lembro com orgulho, de como os meus pais aprovaram publicamente a minha atitude. Minha mãe dizia: “Isso aí filha! Não aceite que destruam algo que você e seus amigos lutam todas as semanas para construir!”

Caso resolvido até que anos depois, no 2o semestre da faculdade esbarrei com um professor de estatística II. Um homem com quase 60 anos, me marcou com um X quando assumi não gostar de estatística e preferir as matérias como psicologia e direito. Ouvi algo assim:

” Como assim, você não gosta de estatística? Mesmo depois de 2 meses de aula comigo? Fui o professor mais homenageado na universidade estadual de SC. Diversos alunos meus viraram estatísticos no mercado de trabalho!”

Eu respondia: “Ok professor. Parabéns! Admiro o senhor. Mas entenda, tenho outras preferências. Se eu tirar a média na sua matéria já me darei como satisfeita.”

Ele fez o favor de me reprovar. Eu fiz o favor de fazer a matéria novamente, tirar nota o suficiente pra passar e dizer: “Desejo que um dia você aprenda que o mundo acadêmico não precisa e nem quer girar em torno de você.”

Ainda no ciclo acadêmico, tive professores maravilhosos. Gostava daqueles que motivavam os alunos a se superarem. Daqueles que colocavam os alunos no centro das aulas, que motivavam a produção intelectual e o compartilhamento de idéias e opiniões. Tive aulas de psicologia, às 22:00 de sextas feiras, lotadas e aplaudidas de pé. Tive professor de matemática financeira que enxergava meus erros em uma equação de longe e brincava de uma forma doce:

- Professor. Tá dando raiz de 28.

- Revise a integral e os sinais antes dos colchetes.

- Pimba! Como o professor adivinhou?

- É a marca da haviana, minha filha! Anos e anos lidando com cabecinhas como a sua, que preferem sempre a forma mais complicada de resolver as contas.

***

E hoje? Como profissional?

Ainda encontro alguns que não seguram grotescamente o braço dos liderados, mas que não medem palavras para mostrar superioridade. ‘Trabalho medíocre’, expressão que ouvi em uma reunião de time e que até hoje tento digerir.

Ainda esbarro com alguns que se acham no direito de julgar profissionais como mal educados, mas que nada fazem para desculpar um atraso de 30 minutos em uma reunião com a equipe.

Ainda cruzo com alguns que acreditam que apenas o dinheiro, unicamente ele, motivará profissionais jovens e com sede de desafios intelectuais.

Com executiva de negócios, que tipo de líderes eu gosto? Desses aí ó, PROFESSORES!

- O cliente não consegue entender a importância da metodologia de implantação que oferecemos. O que faço? Já expliquei, desenhei … Me faltam apenas as piruetas.

- Leve ele em outro cliente, Jamile, para que ele compare o cenário de quem recebeu consultoria com metodologia e o cenário que ele vive hoje.

- Deu certo! Venda fechada! Obrigada pelo apoio!

- Parabéns pelo seu trabalho Jamile. Eu só dei a dica. A trilha quem escalou foi você!

***

Confesso, gosto dos líderes homens que já passaram dos 40 e poucos anos. Estes que tem a marca da havaiana dos anos e anos de praia e pesca. Gosto dos líderes que dividem, humildemente, as experiências dos anos e anos ao redor do mundo. Desses que formaram centenas de profissionais, que foram, mesmo que apenas nos pensamentos dos liderados, homenageados zilhões de vezes. Gosto desses que não levam pela mão, mas que apontam a trilha e orientam cuidados com os pedregulhos e pontes bambas. Conhecem a trilha como a palma da mão.

Gosto desses que tem brilho nos olhos, semblante simples, passos leves, sorriso sincero, pulso firme, críticas bem baseadas e muita vontade de formar e marcar a vida de pessoas. Gosto dos líderes que gostam de GENTE!

E pode parecer romantismo para alguns, mas em quase 6 anos de experiência no mercado de trabalho já trabalhei para líderes formidáveis. Eu acredito em líderes-mestres porque já os tive e com estes aprendi tudo o que eu sei.

Sempre soube o tipo de líder que eu gosto. Hoje em dia tenho aprendido o tipo de ‘chefe’ que eu não quero!

E mesmo assim fico feliz, porque apesar de tudo .. é sempre bom aprender, né?

A vida também é mestre e o tempo a melhor sala de aula.

Post de amor

Post de amor

Eu me pego parada pensando em você! E não adianta, este vai ser mais um post de amor pra você, afilhado.

Eu me pego lembrando da forma delicada que você me abraça, quando chego de São Paulo. Te pego no colo, você envolve meu pescoço com teus bracinhos e encosta a tua cabecinha com a minha… E ali fica, por alguns segundos.

Segundos que meu coração cresce, bate forte e sorri.

Depois desse abraço te coloco sempre no chão e você sempre vai atrás de alguma novidade pra me mostrar. Eu me sinto importante, eu me sinto feliz quando vejo que você divide as coisas boas da sua vida comigo.

Eu dou risada sozinha quando lembro do dia que no meio do primeiro churrasco feito na sua casa, você pegou o violão, puxou uma cadeira no meio da gente e começou a cantar sozinho, empolgadíssimo. A sua voz repetia a mesma frase com o mesmo ritmo. Ninguém deu bola, só eu! Bati até foto!

Nos primeiros seis meses da minha vinda pra São Paulo, você e sua família moraram lá na casa dos meus pais. A sua casa estava em reforma. Segundo seu irmão, a casa de vocês tinha o nome de ‘casa quebarada’.

Era gostoso saber que eu ia visitar os meus pais e ficar o tempo todinho com vocês. Época que eu sempre me atrasava para as baladas com meus amigos. Era difícil deixar você e seu irmão cheirosos depois do banho, com pijamas engraçadinhos e loucos pra brincar mais um pouquinho comigo antes de dormir.

Bom mesmo era ser acordada no dia seguinte, ainda cansada da noite anterior. Você pediam autorização pra tia gegê e vinham, cada manhã com uma história diferente. Um dia você veio com seu copinho de água, respingando água no meu rosto enquanto eu dormia:

- Atoda dida. Água zeadinha, ó!

E seu irmão:

- Acorda Mile. Tem linguicinha do Tijoão hoje! Tá bem gostosa ó. – Com os dedinhos cheios de farinha.

Adoro ligar pra minha mãe aos domingos de noite. Ela sempre tem novidade de vocês. Mas, melhor ainda é falar com vocês por telefone. Vocês cantam, contam e me encantam.

Procuro fazer de todos os meus dias, bons dias. Mas de todos, os melhores são os dias que fico com vocês.

- Dinda. Dá aqueles tios pa mim?

- Tales, não pode. São os cozinheiros que a tia Gegê comprou pra enfeitar a prateleira da cozinha. Não é brinquedo. Tia Gegê comprou pra ela.

- Nããão ( com cara de dengo!). Tia Zezê compôu pa nóis!

- Nããão!

- Sim, é pa nóis!

E você quase me convence com o sorrisinho de canto e com a cabecinha encostando nos teus ombros.

Ah, como gosto.

Procuro estar de verdade com vocês quando estamos juntos. Não quero saber de papo de gente grande. Tiro meu tênis, visto roupas confortáveis e me dedico unica e exclusivamente à você e seu irmão. Adoro!

E tenho medo de você crescer e virar mocinho. Talvez seja brega e careta ser amigão da madrinha velha. Tomara que sejamos sempre assim, parceiros. Porque hoje somos isso, parceiros.

Eu ainda aprendo a colocar a quantidade certa de sorvete no seu potinho. Você não curte comida muita gelada, mas insiste em tomar sorvete. Mas mesmo assim, eu ainda meio desajeitada, acho que somos bons parceiros.

Amo você!

Beijos da ‘didá’.

Filhos, vocês não entenderam nada!

Filhos, vocês não entenderam nada!

Sou crente em Deus. Acredito piamente na existência, poder e divindade dEle.

Creio também que um dia Ele vai voltar, assim como deixou avisado em suas escrituras.

Mas creio ainda mais, que quando Ele voltar, muitos crentes vão se decepcionar.

Ele vai colocar a mão na testa, franzir os olhos e dizer:

“Filhos .. vocês não entenderam nada do que eu falei!”

Imagino sempre essa cena quando vejo crente julgando os gays, as prostitutas, os jovens drogados …

Imagino sempre essa cena quando vejo crente aproveitando do dom da comunicação e lavando o cérebro de tanta gente simples, humilde e sem muito estudo.

Imagino sempre essa cena quando vejo pastores e igrejas usando dos artifícios mais fenomenais pra angariar dinheiro, andar com carros importados, ternos italianos e viajar para os mais diferentes continentes em nome das supostas missões.

Ninguém entendeu que Jesus veio para os doentes. Ninguém entendeu os motivos que levaram a Deus se fazer humano, nascer e crescer como gente pequena … Usar sandálias velhas, viver uma vida humilde, curar doentes. Ninguém entendeu os motivos que levaram Deus a colocar Jesus em uma família que tinha em sua estrutura uma prostituta. Ninguém entendeu o real sentido da castidade. Ninguém entendeu aquele lance do vinho. Ninguém entendeu o jejum. Ninguém entendeu o batismo, e por isso mergulham gente atrás de gente em piscinas de casas bonitas. Ninguém entendeu o dízimo …

e o pior …

Ninguém entendeu o que é realmente uma igreja.

Se eu entendi?

Talvez.

Mas prefiro continuar buscando a compreensão no divino. Porque não acredito e nem entendo nada do que esses homens de ternos, gravatas e bíblias debaixo do braço falam e tanto suam, cantam e dançam (e fazem piruetas), insistindo na minha compreensão e naquela história velha de conversão! Ah, e bem interessados no meu dízimo também!

Ah, tentem .. Vão tentando.

Vocês não entenderam nada desse lance de evangelização!